Caminhar Oblíquo é o relato sobre um itinerário pedestre de 530 quilómetros realizado por Duarte Belo entre o Penedo Durão, perto de Freixo de Espada à Cinta, e o Cabo da Roca. O objetivo foi atravessar a longa diagonal montanhosa do centro de Portugal que divide o Portugal Atlântico, a norte, daquele outro meio país, a sul, sob influência climática da bacia do Mediterrâneo. Percorrer essa linha imaginária que, de forma indelével, distingue duas realidades que se entretecem num território relativamente pequeno mas de extraordinária diversidade paisagística. Percorremos a geografia de uma nação.

 

CAMINHAR OBLÍQUO . DUARTE BELO . EDIÇÃO MUSEU DA PAISAGEM (+)

No dia 28 de abril de 2019, Duarte Belo iniciava, às 18h, uma viagem pedestre no vértice geodésico Penedo Durão, Poiares, Freixo de Espada à Cinta. Tinha como objetivo atravessar uma longa diagonal montanhosa do centro de Portugal e chegar ao Cabo da Roca, Colares, Sintra. Esta é a linha que divide o Portugal Atlântico, a norte, daquele outro meio país, a sul, sob influência climática da bacia do Mediterrâneo. Iria percorrer essa linha imaginária que, de forma indelével, distingue duas realidades que se entretecem num território relativamente pequeno mas de extraordinária diversidade paisagística. Este percurso de limbo será um espelho disso mesmo.

 

Quinze dias após a partida, no dia 12 de maio, por volta das 14h30, chegava ao destino. Para trás ficaram 530 km percorridos numa viagem solitária de acentuada dureza, não apenas pela distância efetuada, as noites no campo e o peso da mochila imposto pelos apenas dois reabastecimentos alimentares durante todo o percurso, mas também pela dificuldade de alguns troços atravessados e pelo clima a que não faltou o sol intenso e o calor, a chuva persistente, a neve ou o nevoeiro.

 

Foi uma viagem de solidão, um exercício pontual de afastamento de um mundo concreto diverso e disperso. Foi a voz silenciada, imersão em pensamentos, o percorrer toda uma vida em fragmentos de alegria e tristeza, condensada em passos mudos. Foi o relento sob a abóbada celeste e o despertar, na madrugada escura, ao som do chilrear de aves invisíveis. Foram as noites mal dormidas, o cansaço extremo, as dores nos pés e nas pernas antes de entrar no sono. Foi o reerguer-me, sempre com uma irracional determinação, para um novo dia.

 

"Caminhar Oblíquo" é o relato sumário dessa travessia, da sempre procurada, no solo, reinvenção, redescoberta, de um país. Talvez mais do que qualquer questão cultural ou identitária relacionada com o habitar de uma terra ao longo de sucessivas gerações que se perdem num tempo longo, este é também um processo de diálogo com essa mesma terra, com o regresso impossível à condição animal, na qual as angústias decorrentes da razão — que se serve da linguagem simbólica e da tecnologia — se esbatem perante o continuado espanto de estar vivo. Descodificar o mundo visível, atribuir nomes e significados às coisas, tomar a consciência de um universo de iguais em que nos integramos e não nos distinguimos de qualquer outro ser, de uma árvore, de um inseto, de um penedo, de uma nuvem.

 

© 2020, Duarte Belo e Museu da Paisagem 

Título: Caminhar Oblíquo

Texto: Duarte Belo

Fotografias e desenhos: Duarte Belo

 

Edição Museu da Paisagem

1ª edição: Março de 2020

320 páginas (150 x 2o0 mm)

ISBN: 978-989-54497-1-2

PVP: 21,80€

 

Disponível em:

 

wook.pt (livraria on-line)

 

100ª Página, Braga

 

A das Artes, Sines

 

BooksLive, Oeiras

 

Culsete, Setúbal

 

Distopia, Lisboa

 

Flâneur, Porto

 

Fonte de Letras, Évora

 

Palavra de Viajante, Lisboa

 

Tigre de Papel, Lisboa

 

Traga-Mundos, Vila Real

 

Velhotes, Vila Nova de Gaia